segunda-feira, 13 de abril de 2015

13 de Abril (15:54)

to deitada aqui tentando pensar no que se passa na sua cabeça nesse momento, dentro do avião a faltando uma hora pra me ver, será que você ainda gosta de mim como gostava em Janeiro quanto fui aí te ver? Eu gostaria de poder dizer que te amo tanto quanto, senão mais do que antes, infelizmente eu sinto que algo mudou, não sei se mutuamente ou se foi só o meu lado. Estou com medo de te encontrar, medo de tudo começar a desmoronar em cima de nossas cabeças, medo de que esse longo período de tempo que você veio pra ficar acabe se tornando s última vez que nós ficaremos juntos, medo de como os meus sentimentos vão reagir a você, medo de como você vai reagir a mim. Você sabe que mudou, não sabe? Será que deep down nós só estamos sustentando essa relação baseada em como nós dois perdemos tanto só por um impulso de nos conhecermos? Não sei. Por mais que eu tente negar, esse pensamento tem ido e vindo na minha cabeça e eu não posso deixar de pensar que talvez ambos não sentimos mais nada um pelo outro. Mais tudo bem, tudo bem. Posso dizer que o que eu senti por você, mesmo que efêmero, foi real o suficiente pra me trazer de volta pra uma "realidade". Peço desculpas agora já, caso eu faça algo que vai nos machucar.
Te espero aqui, deitada no meu canto, pensando em como a minha situação mudou drasticamente desde que nos conhecemos.
Sempre meu.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

2 de Abril (00:29)

Vou largar a faculdade, mas agora vou explicar o porque.
Seis semanas atrás, no fim de fevereiro, eu conheci uma pessoa que realmente não achei que fosse acabar se tornando alguém tão relevante na minha vida. Fui em uma pousada que a Tia da minha amiga trabalha, lá conheci o Lars, esse cara de cinquenta e seis anos que estava trabalhando em Recife, ele já viajou pra muitos, muitos lugares a trabalho, realmente uma pessoa muito vivida com um milhão de histórias sobre um milhão de pessoas diferentes. Enfim, antes de ontem, dia trinta e um, ele me mandou um email dizendo que estava em Curitiba e que queria me ver pra gente conversar, porque, somehow a gente veio a perceber que temos muito em comum e muitos interesses em comum também inclusive, ele se sente a vontade comigo a ponto de contar os problemas por quais já passou, a maior parte deles relacionados a mulheres mas enfim, o ponto não é esse. O que aconteceu foi o seguinte, ontem foi a primeira vez que a gente esteve a sós então pudemos conversar sobre muita, muita coisa mesmo. Foi realmente maravilhoso, e hoje, às quatro e pouco ele disse que estava me esperando pra gente ir sair. Pois bem, no jantar eu comecei a comentar com ele o quanto eu andava pensando em desistir da faculdade de cinema, porque eu cheguei a conclusão de que eu não quero ser professora e muito menos uma cineasta, mesmo tendo cinema como um dos maiores amores da minha vida, eu comecei a perceber que já que não quero ser professora ou cineasta qual o ponto de fazer uma faculdade devotada a isso? Quer dizer, a faculdade me ensinou várias coisas que hoje me fazem assistir filmes de uma maneira vem diferente da maneira que eu assistia filmes dois anos atrás, mas a maior parte das coisas eu aprendi lendo artigos ou discutindo com professores, com exceção de algumas aulas mais específicas, eu só não acho que vá conseguir aproveitar mais nada dessa faculdade, é quase como se eu já tivesse aprendido tudo o que eu queria e o resto vai ser só gibberish sei lá. A minha crise começou semana passada, quando as aulas começaram e eu percebi tudo isso, quando cheguei em casa comecei a pensar o que que eu vou fazer da minha vida? E hoje comecei a comentar com o Lars sobre tudo isso e ele me perguntou, "if not film school what would you wanna do?" pedi para que ele me desse alguns minutos para que eu pudesse pensar. Minha resposta foi ou algo relacionado a plantas ou algo relacionado ao mar, vida marinha etc, como oceanografia ou biologia marinha. Quando eu falei isso foi a expressão do Lars foi de um entusiasmo quase assustador, perguntei pra ele o que fez ele ficar daquela maneira e ele disse "do that, drop out or college and becone an  oceanographer " perguntei porque? Ele disse porque dentro de três/quatro anos eu vou ter um barco que eu vou mandar construir (sim ele tem um emprego muito bem remunerado) e você pode trabalhar comigo, porque uma vez que eu tiver um barco meu plano é viajar muito e ganhar dinheiro com ele mesmo, e viajando com ele eu ajudaria fazendo um milhão de coisas e ainda poderia estudar pra caralho uma vez que eu vou estar em constante contato com o mar/vida marinha. Ele disse que conforme os anos forem passando a gente vai manter contato porque ele volta pra Dinamarca mês que vem e volta pra cá de novo em agosto.
Sinceramente isso pode parecer uma utopia mas ele fez questão de me mostrar e explicar detalhadamente todo o processo do barco, uma vez que ele é um engenheiro ele realmente ficou umas duas horas me explicando tudo.
Cheguei em casa a mais ou menos duas horas e tudo o que eu fiz foi pensar em tudo o que eu vou fazer. Começando por fazer mais esse ano de faculdade e prestar o Enem no fim do ano e, caso eu vá mal, largar a faculdade anyway e fazer cursinho pra poder prestar outro vestibular. É isso, eu vou desistir de tudo e me devotar a algo que vai me levar a viajar o resto da minha vida sem nunca, jamais, me acomodar em algum lugar. É isso.

terça-feira, 24 de março de 2015

25 de Março (2:04)

li uma parte de um texto sobre como nós devemos nos manter longe de pessoas tóxicas. A definição dessas pessoas são as seguintes: arogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas entre outras características.
No início achei um texto bem ruim, na verdade ainda acho, mas comecei a reparar que eu, além de ter várias das características sou, de fato, uma pessoa nociva aos que me cercam? Comecei a pensar sobre as minhas amizades e decisões e conversas e percebi que sim, eu sou nociva. Sou falsa, frcassada, amargurada e todo o resto. Nunca consegui manter relação nenhuma porque, eventualmente, todos acabam se tocando disso e se afastando, ou eu me toco do que estou fazendo e opto por me afastar, as vezes eu realmente não queria ser assim, não faço sempre de propósito, quando vejo eu to fazendo mal a alguém.
Desculpa, eu realmente não tinha percebido até agora o quão ruim eu sempre fui e como sempre me fiz de vítima e quantas amizades eu estraguei e quantos meninos eu enganei, recentemente, óbvio. O quanto eu alimentei relacionamentos só pra eventualmente me cansar e simplesmente abandonar o outro simplesmente porque fiquei cansada daquela pessoa, agindo de maneira tão individual e cega. Mesmo tendo consciência de tanta coisa, eu não consigo evitar de cometer esses erros over and over again.

24 de Março (5:50)

Autoconsciência: "consciência que reflete sobre si própria, sobre sua condição e seus processos"

Parece que um filtro é retirado de nossa visão e perspectiva e tudo muda, os problemas se tornam outros, as vezes o seu ciclo social muda, tem gente que nunca se torna autoconsciente e vive uma vida sem perceber o quão ruim ela pode ser. Eu não posso dizer que minha família tem problemas financeiros, minha mãe que tem quatro filhos, dois casais de gêmeos, cada casal com um homem, o pai dos meus irmãos não era ruim pra eles, minha mãe nunca quis o sobrenome dele no nome dos meus irmãos porque o Adilson se envolvia em shady business políticos ou whatever, acabou levando dois tiros na cabeça quando viajava pra passar o aniversário dos meus irmãos com eles, eu não tinha noção disso, óbvio, porque tinha 6 anos e os meus irmãos estavam completando 12. Agora o meu pai, Sandro, nunca chegou a casar com minha mãe, mas eles moraram juntos por 9 anos, ou seja ele criou os meus irmãos, de certa forma. O que o meu pai fez? Roubou bastante dinheiro da minha mãe, batia nos meus irmãos severamente porque não gostava do pai deles e porque a minha mãe viajava bastante e, obviamente, ele era doente. A primeira vez que apanhei, eu e meu irmão, com 4 anos quebramos um perfume e começamos a espalhar no chão do quarto. Meu pai chegou, mandou a gente pro banheiro, eu e meu irmão nos despedimos, ele ligou o chuveiro e começou a bater na gente com a fivela da cinta de coro marrom escura dele. Minha mãe tinha 40 anos e meu pai 32 quando eles se separaram, minha mãe não sabia que ele tinha uma amante de 18 anos que btw, era nossa babá babaca, Jaciara. Minha mãe quis se separar pq descobriu que ele comprou um carro a com toda a poupança dela e ah, ele pagava o aluguel da babá também. Enfim, depois disso começaram as ameaças dele e as constantes aparições dele na minha casa pra basicamente espancar a minha mãe. Recordo-me de uma situação específica onde minha mãe foi nos deixar na casa dele para passarmos o sábado de noite e voltarmos no domingo de manhã e ele a chamou pra conversar enquanto eu e meu irmão estávamos vendo televisão e, num piscar de olhos, vi meu pai virar a mesa, quebrando as xícaras e a jarra e tudo, e depois pegar a mesa e jogar nas costas de minha mãe que veio tirar a gente do quarto correndo. Depois disso eu só lembro de acordar em casa com um roxo na bochecha, não me recordo do que aconteceu disso, só do rosto de minha mãe caída no chão chamando meu pai de doente.
Em resumo, o meu único ponto em contar essa história toda e dizer que, mesmo sem problemas financeiros, eu acabei tendo uns infância caótica e o meu irmão e irmã drogados, minha irmã já foi enternada pelo menos sete vezes, uma vez por cocaína, depois depressão, tentativa de suicídio e por ai vai. Hoje em dia tão entupida de remédios que é difícil até pra ela conversar depois que ela fuma maconha. Meu irmão mais velho é viciado em pó, alcoólatra, extremamente violento, já me arrebentou, já espancou minha irmã também, e o meu irmão gêmeo também. É completamente depressivo, completamente largado, não trabalha, não consegue fazer nada, não tenta nem mais sair de casa e fica bebendo lá mesmo, as vezes sai pra cheirar com a namorada dele (que não é má pessoa de verdade)
Meu irmão gêmeo tem problemas em se relacionar com quase todo mundo, só joga computador e agora trabalha em um hotel, quase não tem amigos, desistiu de estudar porque o bullying destruiu o resquício de autoestima que o meu irmão tinha. Quase foi internado porque começou a se trancar no quarto e parou de responder todo mundo da casa. Eu nem vou falar de mim porque ja falo demais sobre mim. Só sou toda cortada, não consigo ter nenhum tipo de relacionamento amoroso porque sempre acabo destruindo tudo. Não consigo ter amigos que não sejam, quase sempre virtuais, e os poucos que tenho mesmo me amando eu empurro e desapareço, são estes que entendem a minha necessidade de ficar sozinha, eles respeitam o meu espaço. Anoréxica. Bulimia nervosa. Impulsiva. Autodestrutiva. Retardada e instável.
Uma vez que descobri que as pessoas são, quase sempre, doentes e, cada vez mais, loucas, eu comecei a perceber como tudo é meio falso. Essa ideia toda de família feliz, etc, só existe na cabeça das pessoas, cada vez mais eu percebo o quanto todo mundo é tão triste, até mesmo as pessoas que não percebem, que acham que é normal beber até vomitar, ou que acham ok ficar se drogando e sendo irresponsáveis, eu uso drogas, não vou mentir, mas aprendi a não deixar isso me levar pra um lado onde eu deixo de ver filmes e estudar só pra ficar high on something. Uma vez que fiquei consciente, aprendi a respeitar mais as pessoas e a ser um pouco menos crítica, hoje dia me vejo como só mais uma pessoa problemática e que não tem problema, as pessoas só vão ligar ou ficar falando de você se você deixar ou ficar contando sua vida pra todos as pessoas achando que todo mundo precisa se sensibilizar e te dar atenção. Odeio gente assim, você não é diferente de ninguém e tem gente que tem muito mais problemas do que nós da classe média/alta brasileira.
A consciência no entanto, acaba deixando a gente só mais desanimado com a vida, hoje em dia eu fico reclusa no meu apartamento vendo filmes, quase sempre sozinha, as vezes acompanhada, apaixonada por uma pessoa que não posso ver ou amar de perto porque acho que se isso acontecesse eu ia acabar deixando de gostar dele e ele de mim porque é isso que sempre acontece, eu tendo a cansar as pessoas e elas me cansam também. Não confio em ninguém o suficiente pra ficar cem por cento confortável com elas muito tempo. Sinto-me euma vergonha pra qualquer pessoa. Sei que isso talvez isso seja um equívoco, mas eu me sinto um erro, perante aos meus olhos, uma decepção pra minha mãe e uma falsa/fria/irritante/vergonha pra qualquer outra pessoa que eu amo ou sou amiga de.
É assim que eu me sinto, desde que a autoconsciência me veio a tona e a minha autoconfiança se esvaiu de mim tão rapidamente que hoje em dia nem lembro de como é se amar e "confiar em mim mesma"

sexta-feira, 13 de março de 2015

13 de Março (5:37)

Tão longe e ainda sim tão perto, sinto-me tão só sem você aqui pra dividir a cama comigo. Sinto-me tão triste por não poder te abraçar e por não poder acordar e olhar em teus olhos grandes e esbugalhados que estão sempre a me observar timidamente. Tão longe de ti, meu bem, minha única vontade é de apodrecer nesse quarto com cheiro de cigarro. Pra ser sincera, gasto todo meu tempo deitada aqui, sem ao menos me levantar pra comer e, quando como, não consigo engulir e acabo cuspindo ou vomitando logo depois. Pouco a pouco perco meu apetite, meus lábios ficam cada vez mais azulados e rachados, acordo todos os dias e, ao me olhar no espelho, só tenho mais vontade de chorar, perdendo peso com uma rapidez assustadora, percebo o quão melhor eu acabei ficando no último ano e sinto vergonha por isso, sim vergonha. Esqueci da minha neurose e me deixar enganar por palavras falsas de pessoas que nunca sequer se importaram comigo, sozinha neste quarto volto a pensar o quanto eu nasci para ficar só, sim só. Mesmo te tendo, sinto que se você estivesse realmente aqui começaria a perceber o quão fútil e auto-destrutiva eu sou, no fim do dia eu não passo de uma menina classe média mimada que precisa se intoxicar de pensamentos e ações que nada mais me trazem além de tristeza, cortes e um banheiro vomitado, tudo isso porque eu só penso em sofrer e depois sofrer mais ainda. Isso faz sentido? Eu tento acreditar que sim, porque não existe nenhum outro tipo de explicação. Deixei de pensar que eu tenho algum tipo de patologia, eu tenho mesmo é um corpo vazio, sem alma nem coração, uma cabeça oca.
Tão longe de você, eu desprendi a ser feliz, como fui no período em que estive com você. Longe de você, minha única ação vai ser acordar pra dormir de novo e continuar fazendo isso até você aparecer pra me acordar e dizer: pronto, passou, a dor já acabou. Mesmo que isso seja mentira, se sair da tua boca, eu me faço de burra e acredito até você partir de novo.

domingo, 1 de março de 2015

2 de Março (02:09)

Tenho dormido em média umas 16 horas por dia. Hoje, no entanto, tive um blackout enquanto limpava o meu apartamento. O evento foi assim, acordei por volta das onze da manhã, não aguentando estar acordada a mercê da minha própria pessoa, tomei os dois remédios que ando misturando: neural e quetros, não conseguindo dormir depois de tomar os remédios, me dediquei a fazer uma faxina no meu apartamento. Depois de organizar meu guarda-roupa desci pra cozinha e comecei a lavar louça, haviam apenas alguns copos, enquanto enxaguava os copos senti meu corpo queimando de dentro pra fora, meu campo de visão estava completamente borrado e eu comecei a tremer, derrubei e quebrei o copo, achei que fosse desmaiar ali mesmo entretanto, fui até a mesa e sentei-me, apaguei ali. Fui acordar às  cinco e meia deitada na minha cama com una toalha na cabeça e um balde todo vomitado ao meu lado, sentei na cama e comecei a respirar fundo, tentei lembrar se fiz alguma coisa mas a última  lembrança foi de ter sentado na mesa. Comecei a chorar sem realmente saber porque, fui tomar outro banho e fiquei sentada lá, chorando e tentando entender o porquê do meu comportamento. Eu me sinto tão só, tenho medo de sair do meu apartamento porque minha vizinha me ameaçou, dizendo que eu não tenho caráter e que seria melhor se a gente não se encontrasse no corredor. Eu estou sem comer a mais ou menos vinte e sete horas, a única coisa que consumi foi um suco que comprei no sábado a tarde. Eu não sei pra onde meus dias estão indo, meus ossos voltaram a aparecer e ainda sim eu não sinto fome, todas as vezes que tentei comer a comida parecia podre em minha boca, tive dificuldade em mastigar e de engolir também não consigo mais levantar da cama, menti a mim mesma quando pisei em Curitiba achando que conseguira ficar no mínimo ok, tudo o que eu tô fazendo é me matar devagar e dolorosamente o pior é realmente não estar ligando pro meu estado deplorável, lábios rachados, roxos, olheiras, palidez. Eu mal tenho escutado minha própria voz. Eu mal tenho pensado direito, são tantos remédios e tão pouca comida que só me resta dormir, no entanto, quando acordada eu volto a chorar e volto a me sentir e volto a querer dormir pra tentar esquecer o porquê de tanta dor e o porquê de tanta angústia.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

26 de fevereiro (22:48)

apaguei ontem, foi estranho. O remédio que tomei tem efeitos colaterais estranhos, as vezes em que acordei durante a noite eu estava suando e tremendo e, num piscar de olhos, percebia que havia passado mais de uma hora e meia, só que eu não lembro de ter dormido, nem cochilado, foi como se eu tivesse perdido esse tempo, sei lá.
Acordei tipo uma da tarde, tomei mais remédios e voltei a dormir, acordei de novo as quatro, assisti novela e voltei a dormir cinco e meia. Sai de casa, fui ao mercado e comprei sete laranjas e ração pro meu gato. Não consegui comer, não consigo escutar música, nem prestar atenção na televisão, sinceramente mal consigo levantar da cama. Meus amigos exigiram antes de eu voltar pra cá que mandasse notícias, mas eu vou contar o que? Que a minha vizinha me interfonou pelo menos quatro vezes ontem e que veio bater aqui hoje e eu, realmente dopada e com medo, só me tranquei no quarto, tomei mais remédios e voltei a dormir, esperando que isso acabasse logo. Agora pouco mesmo, quando acordei dez e pouco, meu primeiro ato foi tomar mais remédios e esperar pra apagar de novo, só não dormi ainda porque minha mãe quer falar comigo. Percebi hoje o quão sozinha eu estou aqui em Curitiba e o quanto eu não sei ficar só. Sou só uma retardada que tende a se auto-sabotar em troca de nada, porque dessa vez eu nem quero chamar atenção, tenho só mentido e dizendo que está tudo ótimo a algum tempo já, a verdade é que ultimamente eu só ando desistindo de tentar.melhorar. Ano passado eu realmente tentei, sabe? Engordei alguns quilos, fiz alguns amigos, estudei bastante entretanto, como sempre, acabei deixando tudo de lado e já comecei a me levar pro fundo do poço mais uma vez. Não como nada desde ontem, quando almocei com minha mãe e não sinto fome também, não sinto vontade de fumar cigarros, nem vontade de tomar banho ou escovar os cabelos, nem vontade de levantar da cama, não consigo ver nada também, porque quando vejo percebo que já se passaram quarenta minutos e eu não prestei atenção em nada. Ta difícil. Mas eu continuo a querer que as pessoas achem que eu estou bem, porque da última vez que caí doente meu objetivo principal era que alguém da minha casa me desse o mínimo de atenção, agora eu só quero me encolher e pedir pra que essa angústia e vontade de morrer acabe logo. A cada hora que se passa eu só sinto mais vontade de desistir de tudo logo. Queria um abraço mas não existe mais ninguém pra me abraçar.