Autoconsciência: "consciência que reflete sobre si própria, sobre sua condição e seus processos"
Parece que um filtro é retirado de nossa visão e perspectiva e tudo muda, os problemas se tornam outros, as vezes o seu ciclo social muda, tem gente que nunca se torna autoconsciente e vive uma vida sem perceber o quão ruim ela pode ser. Eu não posso dizer que minha família tem problemas financeiros, minha mãe que tem quatro filhos, dois casais de gêmeos, cada casal com um homem, o pai dos meus irmãos não era ruim pra eles, minha mãe nunca quis o sobrenome dele no nome dos meus irmãos porque o Adilson se envolvia em shady business políticos ou whatever, acabou levando dois tiros na cabeça quando viajava pra passar o aniversário dos meus irmãos com eles, eu não tinha noção disso, óbvio, porque tinha 6 anos e os meus irmãos estavam completando 12. Agora o meu pai, Sandro, nunca chegou a casar com minha mãe, mas eles moraram juntos por 9 anos, ou seja ele criou os meus irmãos, de certa forma. O que o meu pai fez? Roubou bastante dinheiro da minha mãe, batia nos meus irmãos severamente porque não gostava do pai deles e porque a minha mãe viajava bastante e, obviamente, ele era doente. A primeira vez que apanhei, eu e meu irmão, com 4 anos quebramos um perfume e começamos a espalhar no chão do quarto. Meu pai chegou, mandou a gente pro banheiro, eu e meu irmão nos despedimos, ele ligou o chuveiro e começou a bater na gente com a fivela da cinta de coro marrom escura dele. Minha mãe tinha 40 anos e meu pai 32 quando eles se separaram, minha mãe não sabia que ele tinha uma amante de 18 anos que btw, era nossa babá babaca, Jaciara. Minha mãe quis se separar pq descobriu que ele comprou um carro a com toda a poupança dela e ah, ele pagava o aluguel da babá também. Enfim, depois disso começaram as ameaças dele e as constantes aparições dele na minha casa pra basicamente espancar a minha mãe. Recordo-me de uma situação específica onde minha mãe foi nos deixar na casa dele para passarmos o sábado de noite e voltarmos no domingo de manhã e ele a chamou pra conversar enquanto eu e meu irmão estávamos vendo televisão e, num piscar de olhos, vi meu pai virar a mesa, quebrando as xícaras e a jarra e tudo, e depois pegar a mesa e jogar nas costas de minha mãe que veio tirar a gente do quarto correndo. Depois disso eu só lembro de acordar em casa com um roxo na bochecha, não me recordo do que aconteceu disso, só do rosto de minha mãe caída no chão chamando meu pai de doente.
Em resumo, o meu único ponto em contar essa história toda e dizer que, mesmo sem problemas financeiros, eu acabei tendo uns infância caótica e o meu irmão e irmã drogados, minha irmã já foi enternada pelo menos sete vezes, uma vez por cocaína, depois depressão, tentativa de suicídio e por ai vai. Hoje em dia tão entupida de remédios que é difícil até pra ela conversar depois que ela fuma maconha. Meu irmão mais velho é viciado em pó, alcoólatra, extremamente violento, já me arrebentou, já espancou minha irmã também, e o meu irmão gêmeo também. É completamente depressivo, completamente largado, não trabalha, não consegue fazer nada, não tenta nem mais sair de casa e fica bebendo lá mesmo, as vezes sai pra cheirar com a namorada dele (que não é má pessoa de verdade)
Meu irmão gêmeo tem problemas em se relacionar com quase todo mundo, só joga computador e agora trabalha em um hotel, quase não tem amigos, desistiu de estudar porque o bullying destruiu o resquício de autoestima que o meu irmão tinha. Quase foi internado porque começou a se trancar no quarto e parou de responder todo mundo da casa. Eu nem vou falar de mim porque ja falo demais sobre mim. Só sou toda cortada, não consigo ter nenhum tipo de relacionamento amoroso porque sempre acabo destruindo tudo. Não consigo ter amigos que não sejam, quase sempre virtuais, e os poucos que tenho mesmo me amando eu empurro e desapareço, são estes que entendem a minha necessidade de ficar sozinha, eles respeitam o meu espaço. Anoréxica. Bulimia nervosa. Impulsiva. Autodestrutiva. Retardada e instável.
Uma vez que descobri que as pessoas são, quase sempre, doentes e, cada vez mais, loucas, eu comecei a perceber como tudo é meio falso. Essa ideia toda de família feliz, etc, só existe na cabeça das pessoas, cada vez mais eu percebo o quanto todo mundo é tão triste, até mesmo as pessoas que não percebem, que acham que é normal beber até vomitar, ou que acham ok ficar se drogando e sendo irresponsáveis, eu uso drogas, não vou mentir, mas aprendi a não deixar isso me levar pra um lado onde eu deixo de ver filmes e estudar só pra ficar high on something. Uma vez que fiquei consciente, aprendi a respeitar mais as pessoas e a ser um pouco menos crítica, hoje dia me vejo como só mais uma pessoa problemática e que não tem problema, as pessoas só vão ligar ou ficar falando de você se você deixar ou ficar contando sua vida pra todos as pessoas achando que todo mundo precisa se sensibilizar e te dar atenção. Odeio gente assim, você não é diferente de ninguém e tem gente que tem muito mais problemas do que nós da classe média/alta brasileira.
A consciência no entanto, acaba deixando a gente só mais desanimado com a vida, hoje em dia eu fico reclusa no meu apartamento vendo filmes, quase sempre sozinha, as vezes acompanhada, apaixonada por uma pessoa que não posso ver ou amar de perto porque acho que se isso acontecesse eu ia acabar deixando de gostar dele e ele de mim porque é isso que sempre acontece, eu tendo a cansar as pessoas e elas me cansam também. Não confio em ninguém o suficiente pra ficar cem por cento confortável com elas muito tempo. Sinto-me euma vergonha pra qualquer pessoa. Sei que isso talvez isso seja um equívoco, mas eu me sinto um erro, perante aos meus olhos, uma decepção pra minha mãe e uma falsa/fria/irritante/vergonha pra qualquer outra pessoa que eu amo ou sou amiga de.
É assim que eu me sinto, desde que a autoconsciência me veio a tona e a minha autoconfiança se esvaiu de mim tão rapidamente que hoje em dia nem lembro de como é se amar e "confiar em mim mesma"
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